
Os grupos ou as comunidades possuem diferentes formas de interações. Em uma breve pesquisa no “Google”, especificamente vinculada à interação em sala de aula, descobriu-se que existem diferentes tipos “interações” neste âmbito. Podemos citar estudos mais freqüentes, como as com livro didático, sociais (afetivas), as mediadas por computador, televisão, etc. Todas as “interações” dependem dos significados que lhes são atribuídos e dos paradigmas que as fundamentam em dado momento histórico.
Neste texto, partiremos do pressuposto que interação significa “entre” corroborando com a teoria proposta por Alex Primo em 2003, sob uma abordagem sistêmico relacional da interação mediada por computador.
Primo (2005) nos coloca que existem seis enfoques principais de interação (interatividade) mediadas por computador: o tecnicista, informacional, transmissionista, antropomórfico, mercadológico e a sistêmico relacional, sendo esta última defendida pelo autor.
De acordo com o mesmo, deve-se entender a interação, ou interatividade mediada pelo computador
“a partir de um olhar focado no que se passa entre os interagentes (sem que esse foco recaia exclusivamente sobre a produção, a recepção, ou sobre o canal), (...) (2005, p.13)”.
Existem muitas confusões entre o que é interação ou interatividade atualmente. Essa confusão se deve ao pressuposto da interatividade a partir de um enfoque mercadológico. Conforme esse enfoque, todos os “brinquedos” que respondem a estímulos são interativos. Primo (2005) nos coloca que nesta perspectiva não ocorre nenhum diálogo de conversação, pois as respostas já são pré-estabelecidas, o que então não caracterizaria a interação.
Segundo Morato (2001)
“as práticas interativas produzidas no âmbito escolar, sob os mais diferentes ângulos, têm sido objeto de estudo de vários domínios do saber, como a Pedagogia, a Lingüística, a Psicologia ou a Sociologia. Em cada domínio, a expectativa de entendimento de suas propriedades, características e implicações parece voltar-se à observação dos diferentes sentidos que constituem as interações, ou os que estas provocam, engendram, denunciam, revelam. Além disso, espera-se que a qualidade das interações tenha a ver, de alguma maneira, com os limites e os alcances da escola enquanto instituição, enquanto prática social (p.01)”.
As interações sociais que ocorrem dentro da sala de aula podem ser potencializadas e positivas a partir da interação com o computador. Por se tratar muitas vezes de novidade para alguns, a utilização do computador estreita as relações de diálogo tanto professores/alunos quanto aluno/aluno. Surge entre os envolvidos a ação de cooperação para resolução de problemas. Autores como Lev Vygotsky, acreditam veementemente no ensino como processo social, ou seja, o ensino não ocorre sem as relações sociais entre os envolvidos.
Para Campos (1996) a interação entre professores e alunos na sala de aula se constitui como um dos principais elementos no processo de ensino-aprendizagem, sendo que sua compreensão não apenas facilita este processo como também influi na sua qualidade.
Contrário às interações positivas nas escolas, as negativas, principalmente sociais podem comprometer o processo ensino- aprendizagem. Uma vez que o aluno não consegue relacionar-se com os demais, nem com os professores, a aprendizagem torna-se dificultosa, o que impede a dialética ensino- aprendizagem. Em uma interação negativa, há pouco espaço em sala de aula para a manifestação das idéias dos alunos, uma vez que o padrão de aula geralmente encontrado, é o da exposição pelo professor.
Assim, "quando imaginamos uma sala de aula em um processo interativo, estamos acreditando que todos terão possibilidade de falar, levantar suas hipóteses e nas negociações, chegar a conclusões que ajudem o aluno a se perceber parte de um processo dinâmico de construção (Campos, 1996)".
Referências:
CAMPOS, Luiz Fernando de Lara. Introdução à interação em sala de aula: elementos para compreensão. Psicol. esc. educ., 1996, vol.1, no.1, p.77-79. ISSN 1413-8557.
MORATO, Edwiges Maria. "INTERAÇÃO E SILÊNCIO NA SALA DE AULA": O SILÊNCIO COMO VEICULADOR DE SENTIDO E INTERAÇÃO. Educ. Soc., Campinas, v. 22, n. 77, Dec. 2001 .
PRIMO, Alex. Enfoques e desfoques no estudo da interação mediada por computador. 404NotFound, n. 45, 2005. Disponível em:
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